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Vilaesperanca - Diario de la Vila


Anos :    (Ano por consultar todas noticias):        

 

Noticias - Anno: 2005

Mes: Janeiro 2005  

RELATÓRIO DO MÊS DE JANEIRO 2005


Janeiro começa avaliando o ano que passou, uma retrospectiva de 2004, sucessos, dificuldades, alegrias e problemas, e continua com os planos para o novo ano de 2005!

Resultados obtidos durante o ano
A Menção Honrosa recebida no Prêmio Itaú-Unicef 2003 trouxe durante o ano de 2004 muitos contatos, intercâmbio com outros projetos educativos e sociais.
O reconhecimento da Secretaria Estadual de Educação veio através da autorização em tempo record para o funcionamento independente da Escola Pluricultural Odé Kayodê criada e mantida pelo Espaço Cultural Vila Esperança. O trabalho de montagem do processo foi grande e detalhado sobre todos os projetos e serviços prestados pela Vila Esperança à comunidade, o que ajudou na agilização do andamento do processo de autorização.
Neste ano foram detectados alguns pontos a serem reforçados na formação da equipe de Educadores e um plano de ação neste sentido foi estudado para 2004 e 2005. As discussões e avaliações diárias da Equipe no final da manhã ajudou muito na integração e fortalecimento dos Educadores, em termos pessoais e profissionais.
O trabalho de Dançaterapia foi intensificado e tem colhido resultados muito positivos, com a participação das crianças, dos adolescentes e de alguns pais junto aos educadores.
No final do ano, com a desvinculação da Escola à Rede Pública Estadual de Ensino alguns pais não fizeram a matrícula de seus filhos tendo como justificativa a perda do salário-escola. Mas outros pais optaram por seus filhos continuarem mesmo com as dificuldades que a perda dessa ajuda financeira acarretará em seu orçamento familiar. Foi muito gratificante o reconhecimento dos pais pela qualidade do ensino, pelas oportunidades culturais, artísticas e lúdicas oferecidas a seus fiilhos e pelo envolvimento humano e afetivo entre os educadores e crianças.
Outro ponto positivo foi o trabalho mais direcionado ao grupo de adolescentes e suas necessidades e os projetos criados com eles e para eles. Houve maior envolvimento deles na busca de soluções e idéias na criação e continuidade de projetos; com mais presença deles nos espaços da Vila. Foi criado o Cine Clube, o Grupo de Pagode e o de Samba de Roda com percussionistas e dançarinas.
Outro ponto positivo foi o envolvimento de todos, crianças e adolescentes com o “Ojó Odé” semanal. Esta tarde cultural afro-brasileira é exigida e esperada e tem sido frequentada por um número crescente de pais e visitantes da cidade.
Foi criado o Orçamento Participativo a partir do dinheiro conseguido na ida a Itália em Abril onde Robson e Lucia deram oficinas de jogos e cultura indígena para crianças em Verona e Pio realizou oficinas de Dançaterapia em várias cidades. Este orçamento funcionou como um micro-crédito, auxiliando nas carências e necessidades urgentes da equipe.
Outro fator importante è a co-responsabilidade na gestão e solução dos problemas e na opção pelas prioridades.
Na linha do micro-crédito foi criada pela equipe de educadores a feira “Bambá Badulaques” de roupas usadas, galinhas e outras coisas. A participação ativa de um grupo de mães e as doações de todos tem nos surpreendido positivamente sempre mais. Essa feira com a presença dos palhaços e da música está se tornando referência não só de roupas muito baratas, mas de cultura e alegria, na feira livre popular do João Francisco (bairro periférico de Goiás).

Problemas encontrados durante o ano
No início do ano a Secretaria Estadual de Educação criou vários projetos. Estes projetos técnicos não levavam em conta a história, contexto e a realidade das escolas e a realidade das crianças. Estas foram consideradas mais como números de estatística e foram transferidas de uma escola para outra; escolas foram fechadas para liberarem espaço e diminuirem os gastos. As crianças foram obrigadas a se inscreverem em programas sem opção e sem entendimento sobre os objetivos de tudo aquilo. Pelo convênio estabelecido com a Subsecretaria Estadual e a ligação de parte das professoras da escola da Vila ao Estado foi criado um clima de instabilidade geral. Queriam transferir crianças e professores sem o mínimo respeito ao projeto pedagógico da Vila reconhecido nacionalmente.
Com a Rede Municipal de Ensino, o problema foi a falta de compromisso com a parceria. A Educação Infantil é de competência do município, o que implica em verbas federais para tal. O ano de 2004 foi de total desgoverno da cidade de Goiás. O prefeito respondendo a vários processos, passava longos períodos “escondido”. A corrupção, leilão de cargos e descaso com a administração pública foi a nota imperante: ruas inteiras sem iluminação, suspensão da coleta de lixo, aumento abusivo do imposto IPTU e outras irregularidades.
Tivemos muitos casos de crianças em sofrimento psicológico manifestado em grande agressividade, depressão e dificuldades de aprendizagem, desgastando muito o grupo de educadores na busca de soluções e intervenções positivas.
O grupo de educadores exigia cada vez mais a presença e atuação de uma Coordenadora. Essa coordenadora existia mas era dividida nesta função e em sala de aula. O problema era a necessidade de aumentar a equipe pelo acúmulo de tarefas e funções de cada um.
A particularidade deste projeto sócio-educativo-cultural na busca de uma educação integral e integradora tem exigido dos agentes da Vila Esperança, das crianças e pais sempre maior participação, envolvimento e ampliação dos conceitos filosóficos da vida, pessoal e coletivamnete. A resposta não é respondida à altura dos nossos esforços no tocante à participação dos pais. Mesmo com o aumento da participação ativa de alguns, o número ainda é baixo.
O aumento de turmas acarreta problemas de estruturas físicas. O refeitório não cabe mais o número de crianças atendidas. O sol e as chuvas fortes destruíram a grande tenda que servia como sala de aula, com a queda de uma árvore. Mesas e cadeiras estão insuficientes, falta computadores e outros equipamentos.
Faz-se também necessário repensar o problema dos gastos crescentes com o material didático.As apostilas produzidas na Vila Esperança, com os conteúdos curriculares oficiais e os subsídios para os projetos culturais realizados na Escola e na Brinquedoteca têm se mostrado defasados esteticamente. O conteúdo e a qualidade dos projetos não têm sido valorizados pela apresentação e material possíveis de serem usados por motivos econômicos.
O Parquinho e brinquedos externos mostram sinais de deterioração por ferrugem e alguns deles foram retirados para evitar acidentes. O mesmo se dá com o acervo de brinquedos da brinquedoteca. O uso constante e manuseio frequente dos brinquedos dá a eles um aspecto desagradável e muitas baixas foram verificadas no acervo. Isso causa certo desinteresse por parte das crianças que pedem reposição e renovação de brinquedos. Também surgiu a necessidade de limitar a área do parquinho, pois a tubulação do esgoto da cidade passa dentro daquela área. Em alguns pontos ela é aérea oferecendo muito perigo. A área do parquinho é relativamente grande o que dificulta a visão do educador que acompanha a turma de crianças que está brincando. É uma necessidade de prevenção de acidentes.

Propostas e sugestões para resolver os problemas encontrados
Os representantes administrativos da Vila marcaram uma conversa com a Subsecretária Estadual de Ensino, expondo nossos pontos de vista, e os problemas que a quebra no processo educativo vivido pelas crianças na Escola da Vila Esperança acarretaria para elas. A Subsecretária reconheceu os valores da Vila e o reconhecimento nacional e internacional deste projeto mas persistiu no preenchimento de suas estatísticas tecnocrátas e em fazer cumprir os decretos baixados pela Secretária Estadual, apenas dando mais tempo para nós.
Um grupo de mães foi à secretaria fazer pressão e ameaçando ir à mídia denunciar o descaso pelos direitos de escolha das crianças e suas famílias. As mães mais apáticas cederam e transferiram seus filhos para outras escolas. Muitas delas voltaram alguns meses mais tarde quando foram baixados outros decretos e criados outros programas. Conseguimos que fosse transferida só uma professora e tivemos que assumir o salário de outra.
A busca de soluções com a secretaria municipal resultou infrutífera: muitos elogios e nada de concreto, apenas exigências burocráticas com interesse nas verbas federais, nos negamos a participar das jogadas de interesses políticos em ano de eleição. Depois do grande desgaste resolvemos continuar assumindo o andamento da Educação Infantil, sozinhos, priorizando a vida das crianças.
O clima de insegurança da cidade, do sistema de ensino e a desestrutura familiar se refletia nas reações das crianças, na agressividade, problemas psicológicos e de aprendizagem então redobramos o apoio e a cumplicidade entre os educadores. A busca de soluções, as reflexões e o clima afetivo entre nós, nos deu suporte para enfrentar positivamente os problemas das crianças e de suas famílias. Nesta época foi criado um projeto que será realizado plenamente no ano de 2005 – “Projeto Farfalle – o Direito a Leveza”. Buscando suporte psicológico e artístico para encontrar soluções com criatividade.
A confiança e o amor pela filosofia da Vila Esperança e por ela mesma, pelos sonhos e realizações concretas dela é que forma o grupo de educadores em sua ação social e política na transformação da sociedade.
Assumimos mais uma professora para que a coordenadora pudesse assumir mais sua função de orientar e supervisionar todo o trabalho dentro das possibilidades humanas, tentando diminuir a imensa carga de trabalho e stress dela. Os educadores se sentem mais seguros, acompanhados e respeitados em sua autonomia, condição imprescindível para sua formação.
Quanto ao refeitório: até termos condições econômicas para construir outro, as turmas vão se alternando para lanchar. O tumulto na distribuição das refeições e o gasto do tempo empregado está minorizado pela atuação dos monitores de turma junto aos educadores.
A Sala do Memorial Indígena, contígua ao Teatro aberto foi desocupáda e serve agora como sala de aula. Estamos remontando o Memorial para ser reinaugurado em maio na Aldeia junto com a “Oca Poranga” (sala onde será realizado semanalmente o dia indígena).
Nós procuramos a “Sistema Pitágoras de Ensino”, uma impresa educacional particular, porque avaliamos o seu material didático como sendo de grande qualidade e compensaria comprar o direito de usá-lo. Passaríamos a produzir só os subsídios culturais que não são encontrados em nenhum lugar e diferencia o nosso trabalho.
Os responsáveis mostraram-se interessados na educação da Vila Esperança, mas em termos econômicos, pela quantidade de alunos, julgaram desvantajoso e não aceitaram. Os livros didáticos fornecidos pelo governo, além de não serem os adequados para a nossa metodologia foram pedidos de volta, e os entregamos.
Com o dinheiro do “Orçamento Participativo” tivemos que comprar outra máquina fotocopiadora, porque a antiga estava dando muitas despesas de manutenção, inviabilizando o seu uso. Fizemos permuta com a máquina antiga, e o restante em prestações.
Foi pedido papel aos pais das crianças para a produção do material, o que cobre 40% dos gastos anuais com papel ofício.
O Projeto Farfalle é extendido às mães e familiares das crianças: crianças, educadores e famílias fazendo arte juntos na busca de soluções afetivas e efetivas para a vida.
O grupo de mães tem aumentado aos poucos na participação concreta, na Dançaterapia, na organização da Feira Livre, nas festas promovidas péla Vila Esperança, na saída do Afoxé, na realização de oficinas, etc.
A renovação do Parquinho e Brinquedoteca, a manutenção e renovação geral dos equipamentos e mobiliários de uso na Vila concretamente dependerá de ajuda externa. As iniciativas do Governo-Mirim, como por exemplo um jantar no Grão-Café Realejo; as barraquinhas na festa do Afoxé e outros não conseguem suprir as necessidades econômicas para a resolução dos problemas e carências, mas são projetos embrionais de futuras possibilidades.
A Feira de roupas usadas “Bambá Badulaques” já está conseguindo pagar o salário do professor que acompanha diariamente as crianças na sala de informática. Nota: esse professor, também faz na feira a divulgação e marketing com o megafone caracterizado de palhaço!

Atividades e estratégias planejadas para o ano de 2005
As estratégias e atividades têm sido planejadas diariamente com toda a equipe e em duplas responsáveis por setores e projetos.
No final do ano foi avaliada a nova situação e as perspectivas de futuro. O ano de 2005 ficou instituído como um ano de transição, onde os projetos serão fortalecidos com o maior fortalecimento da Equipe de Educadores sintonizados sempre mais com a filosofia do projeto filosófico, pedagógico e social da Vila Esperança; para isso foi criado um Projeto intitulado “Farfalle – o direito à leveza”, onde através das Artes (Dança, Teatro e Música), encontros de Socio-drama orientados por uma Psicóloga e acompanhamentos individuais e coletivos com crianças, educadores e mães serão trabalhados temas de conteúdos educativos e humanos.
Com a nova gestão da Prefeitura Municipal de perfil político de centro-direita, foram estabelecidos contatos da parte das Secretarias Municipais de Educação e de Cultura nas perspectivas de convênios e de contribuições solicitadas pelo governo municipal à Vila Esperança.
Com a criação do “Caldeirão das Artes”, casarão situado no centro histórico da cidade, onde fica a Sede do “Afoxé”, o “Grão-Café Realejo” e o quintal para feiras e eventos, o contato de pessoas e grupos da cidade e visitantes será intensificado e facilitado. Este novo espaço tem funcionado e funcionará com a divulgação, captação e intercâmbio com os interessados pelo projeto social da Vila Esperança.
Outra fonte que será fortalecida è o trabalho com a Cultura Indígena. Este ano será sistematizado o trabalho de oficinas valorizando as raízes indígenas, com a criação da “Oca Poranga” (Casa Bonita) situada na Aldeia. O Memorial Indígena está sendo montado nas 12 casinhas da Aldeia. Além disso está planejada uma Tarde Indígena seguindo o esquema e o êxito do Ojó Odé que vem acontecendo há 4 anos.
Em parceria com o Núcleo de Estudos Afro da UEG – Unidade Cora Coralina de Goiás, e o Projeto”Coisa de Negro – Mudança de Paradigma” de historiadores e estudantes de Goiás será criada nas dependências da Vila, a Casa de Cultura Afro-Brasileira sediando o projeto acima citado. Este grupo trabalhará com Consciência Negra e Direitos Humanos e pesquisas nesta área.
Robson

Bom, para completar, o dia a dia de Janeiro: férias na primeira quinzena do mês, e no dia 17 voltamos para recomeçar!
A Escola Pluricultal Odé Kayodê é agora uma Escola Particular e Gratuita. ... dizem que não existe outra no mundo com esta conotação tão atípica e contraditória, totalmente fora de qualquer esquema predefindo!...
Na primeira reunião nasce a exigência de uma administração da Vila mais responsável, coletiva e mais eficáz. Regimar começa assumir algumas responsabilidades nesse sentido. E futuramente ele será quem cuidará mais disso, com a ajuda de todos.
Adriana, que era funcionário do Estado e que trabalhou conosco desde o segundo semestre do ano passado, é contratada como educadora da Escola.
E Haroldo, que trabalhou como voluntario na Vila acompanhando as atividades de agosto a dezembro de 2004, é contratado meio período, para trabalhar mais especificamente a Informática na sala de aula com as crianças de Educação Infantil até a 4ª série. Não fazendo parte do orçamento de 2005, o salário dele será pago pela feira “Bambá e Badulaques” que acontece no primeiro domingo do mês na Feira do João Francisco, gerenciada pelos educadores e algumas mães.
No dia 20 fomos convidados para uma reunião na Secretaria Municipal de Educação... agora que somos escola particular querem parceria com a gente... Estudaremos o tipo de parceria.
No dia 24 de Janeiro, de volta às aulas!!! Inscrições para a Brinquedoteca!
E os ensaios intensissimos para a Saída do AFOXÉ!
Começa um programa de rádio feito pelo Robson e Haroldo, sobre Carnaval e sobre o Afoxé, com duração até o dia da Saída do Afoxé. O programa é muito divertido e atinge todas as pessoas, que ficam curiosas para conhecer a personagens principal, uma velhinha que conta as histórias da época dela. Em relação ao Afoxé, o Robson explica uns conhecimentos históricos e básicos, relativos a cultura afro brasileira e suas ligações com elementos das religiões de matriz africana.
Os adolescentes de 2004 agora estão crescendo... passou da idade de estar na brinquedoteca, mas querem continuar na Vila... Começam a surgir novas necessidades, o Conselho de Jovens inicia a tomar forma... e a Vila vai crescendo!!!
Lucia


 
Mes: Fevereiro 2005  

RELATÓRIO DO MÊS DE FEVEREIRO


Começamos o mês pedindo Axé, Paz, Alegria e muita festa com a saída do bloco do AFOXÉ AYÓ DELÊ no dia 05 (sábado de Carnaval).
Este ano três das educadoras se dispuseram a aprender tocar um instrumento de grande importância e que compõe o bloco chamado ILÚ DE IJEXÁ.
O BABALOTIM um dos símbolos de grande valor para o AFOXÉ voltou a acompanhar o bloco nas mãos de um jovem que estudou na Escola da Vila e que hoje participa das outras atividades propostas na Vila Esperança.
Teve também uma aluna que saiu com a cabaça e o peixe que representam as águas, fertilidade, riqueza,etc..
Houve um envolvimento maior da comunidade e de pessoas que acreditam na festa e na riqueza que o Afoxé pode trazer. Foi ótimo.
No Ojó Odé do dia 17 começamos trabalhar algumas coisas para a Festa da Avó e do Avô; dando continuidade no Ojó Odé do dia 24 que já foi bem direcionado aos preparativos da festa confeccionando os presentes e os enfeites para a decoração dos espaços.
Dia 24 foi um dia muito especial porque recebemos a visita da Adriana que é a psicóloga que iniciou com a equipe dos educadores o projeto “FARFALLE” que simboliza o “DIREITO A LEVEZA”
Este projeto nasceu do desejo de nos reeducarmos em relação a educação e ao relacionamento humano.
Pela manhã tivemos um momento de conversa individual com a Adriana para nos conhecermos um pouco. Cada um falou um pouco de si, nossos medos, desejos e sonhos, e nas expectativas que alimentamos com esse projeto.
Acreditamos muito nesse projeto e sabemos que humanamente cresceremos muito.

Shirley

 
Mes: Março 2005  

RELATÓRIO DO MÊS DE MARÇO 2005


O Espaço Cultural Vila Esperança, para mim, representa vida. Vida que se faz presente na pulsação daqueles que diariamente estão nas atividades desenvolvidas neste espaço.
Foi nesta pulsação, da vida, que começamos o mês de março. Um mês que, como os outros, esteve repleto de realizações, conquistas.
Ao longo da primeira semana deste mês, já estávamos envolvidos em duas atividades: preparação para a Festa dos Avós, na sexta-feira, dia 4; e a preparação para a feira Bambá e Badulaques, para o domingo, 6.
Os Educadores da Escola Pluricultural Odé Kayodê se envolveram, e envolveram as crianças, na preparação para a Festa dos Avós, o marco do Projeto Ancestralidade do Espaço Cultural Vila Esperança.
Nas atividades com as crianças, foi discutido a importância dos ancestrais para os seus descendentes, enfatizando o valor da bagagem cultural que deles herdamos. Refletimos no quanto é bom ir à casa dos avós. Lá, tudo é mais gostoso, a comida, as brincadeiras...
A parte prática da preparação foi mais intensa na 5ª feira, 3, no Ojó Odé (tarde cultural africana), onde as crianças preparam os enfeites para a festa, e terminaram os presentes para os seus avós.
Chega sexta-feira, dia 4, e a expectativa é de que teremos uma bela festa. A expectativa se confirma, nos rostos dos avós que estavam presente, os quais saíram felizes do circo, onde aconteceu o evento. Todos os educadores se vestiram de vovós e vovôs, em homenagem aos donos da festa. Os avós foram recepcionados com música, causos (histórias populares que foram contadas por alguns educadores), catira (dança popular feita por um grupo de homens que alternam os sons das batidas das mãos e dos pés, no ritmo dos violeiros), o e Sanfoneiro, que puxou as pessoas para dançar o forró.
Adriano Reginaldo, ex-aluno da Escola e participante da Brinquedoteca Alegria do Povo, representou todas as crianças da Vila, lendo uma mensagem que expreswsa a gratidão do neto pela existência de seus avós.
Para a degustação dos vôs e vós, foi servido as comidas que els apreciam, algumas das quais eles mesmos trouxeram de casa. Teve muito bolo, biscoito de queijo, canjica, pamonha frita, e um caldo de cana geladinho.
Saímos da festa e já no sábado, 5, tivemos a s visita de educadores que estão fazendo um curso superior na área de história, em uma cidade chamada São Miguel do Araguaia. Estes educadores vieram conhecer o Espaço Cultural e, principalmente, participar de uma tarde de vivência em Dançaterapia, com Pio Campo. A dança foi boa, mas, um pouco cansativa, já que a impressão deixada pelas pessoas foi a de que eles estavam participando daquele momento unicamente para se apriopriar de algo que eles julgavam ser capazes de retrasmitir aos seus alunos. Muitos, inclusive, falaram que já faziam aquilo. Obviamente estas pessoas nunca tiveram contato algum com a Dançaterapia. Do contrário, não iriam pensar que seria possível viver a Dançaterapia com seus alunos tendo participado de apenas um encontro de duas horas de duração.
No mesmo dia, preparamos as últimas roupas e apetrechos para a feira da manhã de domingo. A renda obtida com a venda de roupas e adereços, novos e usados, é utilizada para fundo de investimento pedagógico do Espaço Cultural Vila Esperança.
Na animação da feira estavam os palhaços Bambá e Badulaque, representados pelos educadores Haroldo e Gustávio. A alegria de todos, em fazer a feira, é a mesma que está, diariamente, nas atividades da Vila Esperança. É a satisfação de ser útil e ver que o nosso esforço tem significado na vida de cada um que por aqui passa. Os resultados, sejam eles visíveis ou implícitos, estão presentes no reflexo do indivíduo no meio social.
Na segunda, dia 7, as educadoras Emicléia e Adriana, se reuniram com o presidente da Vila, Robson, para falar sobre os adolescentes que frequentam o espaço. Na terça, 8, elas se reuniram com estes jovens. O objetivo dos encontros foi o de formular atividades para envolver mais os adolescentes. Foi lançado a idéia de um conselho jovem, o qual realizará: um informativo; um programa de rádio, em uma emissora da cidade; e outras atividades que irão surgir.
Ficou decidido entre os adolescentes a realização de uma festa para reunir os jovens que já passaram pela Vila e agora estão espalhados pelas escolas da cidade, de nível fundamental e médio. A festa ficou marcada para o dia 1º de abril, porém, teve que ser cancelada, em função dos preparativos da viagem de Robson, Lucia e Pio à Itália.
No dia 10, quinta, na Tarde Cultural Africana, foi comemorado antecipadamente o aniversário da Escola, que foi no dia 11. O Ojó Odé foi feito em torno da História de Mãe Stella, nome civil de Odé Kayodê, uma baiana, neta de uma africana que foi roubada de sua terra para ser escravizada no Brasil. O nome africano desta Mãe de Santo, Odé Kayodê, significa: O caçador que trouxe alegria pra casa. O nome da Escola Pluricultural Odé Kayodê é uma homenagem a essa mulher forte, guerreira.
No dia 12, sábado, chega outra visita de São Miguel, desta vez, alunos do curso de Pedagogia. Na Dançaterapia, a participação das pessoas é mais interessante, no sentido que elas se deixam levar pela verdade que cada um tem dentro de si, diferentemente da turma da semana anterior.
No fim de semana, 12 e 13, aconteceu o encontro com a psicóloga Adriana, de São Paulo. Este encontro faz parte do Projeto Direito à Leveza, onde temos a assessoria da psicóloga para os educadores e com as famílias das crianças. São meninos que, de alguma forma, sofreram e sofrem problemas e abusos em casa ou na rua. Isto se revela nos comportamentos escolares.
Neste encontro com os educadores, a vivência foi bonita, pois todos se revelaram verdadeiramente. Ficou mais claro a união que este grupo tem para alcançar os resultados almejados.
Uma nova semana começa. É seguna, 14, dia do Circo. Os palhaços da Feira, Bambá e Badulaque, visitam a escola para divertir as crianças.
Na quinta, 17, o Ojó Odé continua falando de Mãe Stella. As oficinas de capoeira, beleza, modelagem no barro,, dança, são feitas em torno das palavras dê-la. Cada oficina expressou aquilo que os participantes têm de melhor. Mesmo não contando com Robson, Pio e Lucia, que estavam em São Paulo, o Ojó Odé foi muito bonito.
A sexta-feira, dia 18, é dia de uma visita das turmas da 3ª e 4ª série à Estação de Tratamento de água da cidade, como estudo de campo relacionado ao assunto água. A visita é cancelada, ironicamente, por culpa d´água. É que choveu a noite toda e a passagem entre os dois reservatórios d´água estava escorregadia demais para que as crianças por ali passassem. A data da visita será remarcada para depois da época das chuvas.
Chega a semana da Páscoa. Na escola, os educadores trabalham com as crianças a idéia da vida que se renova. Os símbolos do ovo e do coelho são discutidos. O ovo representando a vida nova; o coelho, representando a fertilidade; e o ovo de chocolate, como representação criada pelo capitalismo, para vender os produtos da indústria de chocolate.
Na segunda, 21, chega à escola uma nova educadora, que passa a acompanhar as atividades diárias, especialmente às da 1ª série. Seu nome é Simone. Ela se adapta rapidamente à proposta da escola, assumindo à turma da 1ª série.
Na última semana do mês de março, Lucia, Pio e Robson estão envolvidos na preparação para a viagem à Itália.
Março termina, com a certeza de que foi um mês proveitoso. Certeza esta, que se faz presente naqueles que integram este Espaço Cultural, e que, têm Esperança num Mundo Melhor.

Haroldo

 
Mes: Abril 2005  

RELATÓRIO DO MÊS DE ABRIL 2005


No primeiro dia deste mês, foi feito um estudo com as crianças através de lendas e estórias fazendo reflexões sobre a “Mentira”.
No dia 3, Robson, Pio e Lucia embarcaram para a Itália a trabalho. Ficarão lá todo o mês de Abril dando Cursos e Workshops de Dançaterapia, Laboratórios de Cultura Africana e Afro Brasileira (Ojó Odé) e Laboratórios de Cultura Indígena Brasileira (Ñandê Rekô), e fazendo encontros sobre o Projeto de Educação Pluricultural do Espaço Cultural Vila Esperança em várias cidades da Itália.
Através de vídeo e estudos, no dia 5 (aniversário de Morte do Mestre Pastinha) as crianças se conscientizaram da importância deste Mestre na hiostória da Capoeira Angola.
Paralelamente, a educadora Shirlei, o Presidente Ronaldo, a vice Juliane (Governo Mirim) e a aluna Nábila (4ª série) deram uma intrevista na Rádio local a respeito do nosso Projeto (no Programa “Nas ondas da Paz”).
Começa-se então o “Mês Indígena”... Trabalhamos com as crianças e adolescentes a rica cultura dos nossos ancestrais indios. Dentro deste trabalho foram feitas visitas ao Memorial Indígena localizado na Aldeia com todas as turmas, inclusive com as crianças do Maternal. Assistimos videos de diversas tribos, dentre elas: Krahos, Yanomami, Xavante, Karajá, etc. As oficinas tiveram uma participação muito ativa das crianças e o resultado foi surpreendente. Fizeram peças indígenas em argila, pintura corporal e em tecido (usando Urucum e Genipapo), instrumentos musicais (maracá, pau de chuva, etc.), adornos, brincadeiras e brinquedos (petecas, corrupio, etc.). Aprenderam origens e fundamentos de cada peça e brincadeiras produzidas. Pelas manhãs, as crianças se reuniam na Praça Vermelha para ouvir os contos indígenas (Kiboi, Vitória Régia, etc.) contados pela nossa Tia Rô.
No dia 12 deste, o biólogo e antropólogo belga Franz esteve aqui na Vila e, numa reunião no Quilombo com educadores e crianças, nos passou vivências em várias tribos brasileiras. A participação ativa das crianças com diversas perguntas nos enriqueceu de informações, principalmente da cultura e costumes dos Xavantes.
Os educadores fizeram também visita a uma tribo Karajá na cidade de Aruanã.
No dia 26 foi a Grande Festa! Foi feita a socialização destes estudos e trabalhos numa grande reunião na nossa Aldeia. Contamos com a participação de todas as crianças do Projeto e vários convidados. A exposição dos colares, pulseiras, cocares, panelas, brinquedos, instrumentos, pinturas e muitas fotos foi un sucesso! As turmas da escola apresentaram cantos e danças indígenas e a brinquedoteca fez uma dança Tupi-Guarani com todas as crianças cantando no mesmo idioma. Finalizamos com visitas ao Memorial e com comidas típicas desta cultura.
Durante este mês também foram feitas oficinas de formação e aperfeiçoamento em penteados e amarrações de kangas com adolescentes e algumas crianças do projeto (Beleza e Estética Negra). Com o lançamento do II Encontro Afro Goiano (dia 8/04), duas integrantes do Conselho de Jovens se prepararam, com a nossa ajuda, para monitorar oficinas de Estética Negra.
Tivemos visitas bem interessantes neste mês: a Superintendente de Promoção de Educação Racial; a equipe de esportes da Escola ETHOS que participou das oficinas de dança e capoeira; crianças e educadores do Projeto da ABB (35 pessoas), estes com a visita direcionada ao Memorial Indígena e outros.
O Ojó Odé continua acontecendo às 5ª feiras sempre com a presença de pessoas da comunidade.
Nós também visitamos outros Espaços, dentre eles o Projeto Quilombo de Angola. Fomos convidados no dia 10 deste para o lançamento do mesmo. Demos o nosso apoio na decoração, filmagem e na mesa de Culinária Africana.
As crianças da 3ª e 4ª série fizeram uma excursão à SANEAGO e viram de perto como é tratada a água que bebemos.
No dia 20, com a estória “O Medo de Sininho”, foi trabalhada a história de Tiradentes.
É importante lembrar que o “Bambá e Badulaques” continua a todo vapor. Neste mês aconteceu no dia 10 lá na feira do João Francisco.
Queremos agradecer a presença da Adriana (Projeto Borboletas – de apoio e acompanhamento psicológico) que mais uma vez nos ajudou nos encontros dos dias 21, 22 e 23.
Bom, neste mês de Abril, apesar de correr tudo bem, não foi nada fácil sem a presença do Robson, do Pio e da Lucia. Mas, eles já estão voltando... Que bom!
Regina

 
Mes: Maio 2005  

RELATÓRIO DO MÊS DE MAIO 2005


Começamos o mês de maio com mais uma edição da Feira Bambá Badulaques, cuja renda é voltada para fundo de investimento pedagógico da Vila Esperança. A equipe se reuniu para vender, brincar e se divertir. Neste dia os palhaços Bambá e Badulaques sortearam vários brindes e fizeram ótimas brincadeiras. As crianças e os adultos riram muito, a manhã foi divertidíssima.
No dia 02, nós educadores, participamos de uma oficina de produção de roteiro. Produzimos um roteiro de documentário cujo tema foi: Espaço Cultural Vila Esperança - uma educação plural. Os escolhidos foram produzidos por uma equipe de filmagem, acompanhados de perto pelos roteiristas. A edição do filme foi feita pela equipe 3D de filmagem, juntamente com os roteiristas.
Na semana das mães, as crianças que participam dos projetos da Vila Esperança, confeccionaram presentes. No dia 03, as crianças organizaram homenagem às mães, para apresentarem na sexta-feira, dia 06. A festa foi bonita e emocionante, as crianças estavam orgulhosas em poder homenagear suas genitoras.
Chegaram da Itália, no dia 04, Pio, Robson e Lucia, cheios de novidades e com força renovada para continuar o caminho de esperança. Por falar em “Caminho de Esperança”, este é o nome do documentário sobre a Vila Esperança. O nosso roteiro foi aprovado, e logo foram feitas as captações de imagens e edição.
Dando continuidade ao projeto “Direito à Leveza”, a psicóloga Adriana Túbero, esteve em Goiás nos dias 07 e 08, tendo encontros com os educadores, coletivamente, e com pais e alunos da escola. Os resultados dos encontros são perceptíveis, tanto no dia a dia dos educadores quanto no comportamento das crianças.
O Afoxé Ayó Delê se prepara para sair pelas ruas de Goiás. Na semana de 9 a 12, aconteceram os ensaios da percussão. Também nesta semana, na Escola Pluricultural Odé Kayodê, aconteceu o “dia do brinquedo”, quando as crianças trouxeram o seu brinquedo favorito para compartilhar com os colegas.
A semana do dia 16 ao 21, começou com os preparativos para o II Encontro Afro Goiano. No dia 19, abrindo o Encontro, o Afoxé Ayó Delê saiu pelas ruas levando o seu Axé. Neste dia, aconteceu um Ojó Odé (tarde africana) especial de preparação para a saída do Afoxé. Um pouco de tudo, inclusive do Afoxé, foi filmado pela equipe de gravação, para o documentário. Foram feitas, também, algumas entrevistas.
Nos dias 20 e 21, como parte do Encontro Afro, aconteceram oficinas de Estética, Percussão e Capoeira, ministradas por Regina, Ronaldo e Gustávio e voltada para as crianças que participaram do encontro. Na oficina de capoeira aconteceu uma surpresa: O Mestre Moraes, grande nome da Capoeira Angola, que estava ministrando uma oficina para adultos no Encontro Afro, visitou a oficina e gostou do trabalho realizado. Ele se surpreendeu com o conhecimento que as crianças da Vila Esperança têm a respeito da história e importância da Capoeira Angola.
Ainda nas gravações do documentário, no dia 23, foram feitas as captações das imagens do dia a dia da Escola Pluricultural Odé Kayodê (incluindo as aulas de filosofia e informática), da brinquedoteca e da Capoeira.
Nos dias 24, 25 e 26, os educadores que produziram o roteiro e acompanharam as gravações, estavam em uma “ilha de edição”, participando ativamente e com muito amor da montagem do filme.
No dia 27, comemoramos o aniversário da Lucia com um café da manhã. A tarde, todos se reuniram para lanchar com ela. Teve até bolo cor-de-rosa em formato de coração.
No dia 30, comemoramos o aniversário da Shirley. As crianças fizeram cartinhas e o Conselho Jovem preparou um bolo de aniversário.
A cidade de Goiás mal saiu do Encontro Afro e já se preparava para o VII FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental.
O grupo de Samba Raiz (Samba de Roda), da Vila Esperança, foi convidado para abrir o FICA, com a “lavagem da Praça do Coreto”. A preparação foi feita, com teatro, coreografia e música, e no dia 31, fez um ensaio aberto para as crianças da escola.
O samba de roda tocou, e as educadoras vestidas de Crioulas balançaram as saias rodadas e as vassouras na lavagem da Praça do Coreto, à tarde. Na mesma noite, da terça dia 31, foi feito o Samba de Roda novamente, agora na Feira De Recursos Sustentáveis do Cerrado, dentro do FICA.
Um dia antes, segunda-feira (30), foi exibido o nosso Filme “Caminho de Esperança”, juntamente com os demais, produzidos pelas escolas da cidade. A emoção foi forte. As lágrimas escorreram nos rostos de quem viu ali, a história do Espaço Cultural Vila Esperança, desde a corajosa construção. Mais do que isso, quase todas as pessoas que ali estavam, saíram com a certeza de que aquele não era um filme feito por questões políticas ou com interesses financeiros. O filme “Caminho de Esperança” foi feito, desde a primeira linha escrita no projeto até a ultima cena, com muita dedicação e compromisso. E mais, com profundo amor pela proposta da Vila Esperança, um lugar onde as pessoas são enxergadas como gente e que lhes são dadas as possibilidades de se reconhecerem e saberem que são capazes de mudar sua realidade e o mundo. O resultado final dos jurados pouco importava, estávamos satisfeitos por poder dar este presente ao lugar que nos acolheu. Independentemente de estarmos entre os três primeiros, já nos sentíamos os verdadeiros vencedores, pois, conquistamos algo maior que o prêmio de primeiro ou segundo lugares.

Adriana Ferreira Rebouças
 
Mes: Junho 2005  

RELATÓRIO JUNHO 2005


O mês de Junho começa com o VII FICA – Festival de Cinema Ambiental, que involve a cidade inteira. A cidade está cheia de turistas, atores e cineastas e o Caldeirão das Artes é ponto de encontro!
Começam os ensaios e preparação da Festa da Terra, Festa da Colheita, Festa Junina. Será no dia 24, e este ano será um pouco diferente dos outros anos: a festa, além de ter como objetivo apresentar as produções artísticas das crianças e se divertir, também será para angariar fundos para a Vila, com a ajuda voluntaria de pais e educadores.
No domingo, 12 de junho, mais um Bambá e Badulaques, para a alegria de todos os feirantes do João Francisco!
No final de semana seguinte (de 16 a 19) tivemos o encontro com a Adriana, do Progetto Labalabá – Direito à leveza, que trabalhou com as crianças da Escola, analizando os casos que os educadores já tinham considerados. O encontro foi também com todos os educadores, criando mais relação entre nós. Toda vez é mais um passo, dado individual e coletivamente, no conhecimento dos nossos pontos forte e fracos, um momento de crescimento.
Dia 24, a Festa Junina! O Teatro Território Livre estava enfeitado de bandeirinhas, um espetáculo de emocionante alegria de cores! Num patamar estava montada a “Rádio” com o Haroldo, no papel do Coronel. O Circo enfeitado de folhas de coqueiro, tinha as comidas e na Coricancha as barracas das brincadeiras. As apresentações foram feitas com muita alegria, o Casamento na Roça foi representado pelos Educadores e Conselho de Jovens e Quadrilha foi muito animada! Os pais envolvidos na organização foram muito presentes e ativos. Deu tudo certo! E todos gostaram!
No dia 25 tivemos a visita da famosa Irmã Escobar do Grupo Arricirco de Recife. Não a conhecíamos pessoalmente. Ela ficou encantada com tudo, com o trabalho e com o espaço. Nos deu muita força, sobretudo sendo no final de semestre e a gente um pouco desgastadas pelo trabalho. “Nunca vi um lugar que consegue transformar pedras em vida!” disse.
No domingo 26 teve um Workshop de Dançaterapia, aberto a novas pessoas da Cidade. Teve a participação dos educadores, mães, jovens e três educadores do Quilombinho, uma escola de ensino formal.
No dia 30 o Pio foi na Escola Ethos de Goiânia para o primeiro encontro de dançaterapia com os 55 educadores da escola.
De 26/6 a 1/7 a Rosângela participou em Pirenópolis do Encontro dos Tutores e Coordenadores do ProInfantil (Programa de Formação Inicial para Professores em Exercício na Educação Infantil) organizado pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura), que acontecerá a partir de julho de 2005 e do qual ela será a uma das duas tutoras do Município de Goiás. Este programa piloto em 2005, está acontecendo em 5 estados do Brasil (entre eles o estado de Goiás); em 2006 será extendido no País inteiro.
Durante esses dias teve a entrega dos boletins para todas as turmas, e encontros com os pais. Foram momentos muito bonitos, de troca, de conselhos dos educadores, de sugestões dos pais, uma finalização positíva do primeiro semestre.
Boas férias para todas as crianças e até dia 1º de Agosto!

Lucia

 
Mes: Julho 2005  

RELATORIO MÊS DE JULHO 2005


As férias das crianças começam e voltarão as aulas no dia 1º de Agosto.
A primeira quinzena do mês foi dedicada à arrumação da casa (faxina dos espaços, pinturas e retoques de externor e internos, todos de avental, luvas e pano na cabeça!!!) e ao planejamento e organização do segundo semestre de atividades.
Além disso, o Robson proporcionou aos educadores oficinas preparatórias do Porancê Poranga, tarde cultural de vivência indígena que acontecerá nas terças feiras à tarde a partir do mês de agosto!
O Pio esteve uma semana em Buenos Aires participando de um seminário de Dançaterapia com a Maria Fux.
De 7 a 9 de julho a Lucia participou do Seminário sobre Ciclo de Projeto, organizado pela AIFO em Belém – Pará. O seminário, dado pelo Giovanni Gazzoli, esclareceu e enriqueceu muito a parte do nosso trabalho relacionada a metodologia de projetos.
Dia 10, domingo, compromisso na feira com Bambá e Badulaques!
E de 15 a 17 tivemos o encontro do “Projeto Labalabá – Direito à leveza” com a Adriana , trabalhando com os educadores o arquétipo do Nômade.
No dia 18 começou o curso de especialização Proinfantil, Programa de Formação Inicial para Professores em Exercício na Educação Infantil do MEC (Ministério da Educação e Cultura), com crianças de 0 a 6 anos. Rosângela é uma das duas tutoras de Goiás, e o curso está sendo frequentado por Shirley, Liandra, Adriana, Regina, Silma, Haroldo, Simone e Gustávio.
E, enfim, alguns dias de férias para todos! ... e também um passeio, acampando na roça dos pais da Emicléia!

Lucia


 
Mes: Agosto 2005  

RELATÓRIO DO MÊS DE AGOSTO 2005


O mês se inicia com a volta às aulas e a alegria de chegar à Vila Esperança e muita vontade de contar o que fizeram no período das férias.
O primeiro Ojó Odé marcou mais um dia na minha vida, melhor dizendo na vida de todos. Trabalhamos um mito que passava muita força, nos ensinando valorizar nossas riquezas e tive também a honra de estar com pessoas que acreditam no meu trabalho. Algumas crianças valorizam de modo especial esse trabalho.
Com as crianças trabalhei a proposta do mito através do jogo de capoeira que se chama “Apanha a laranja no chão Tico-Tico, não se pega com a mão mas se pega com o bico”, que também é um dos corridos que se canta durante o jogo.
No dia 8 comemoramos o aniversário do Robson na Praça Vermelha com todas a s crianças da escola e educadores.
No outro dia se deu início a tão esperada tarde indígena “Porancê Poranga” na “Oca Poranguassu”. As crianças se caracterizavam no saguão do circo com as roupas, depois faziam uma pequena pintura no rosto e dirigiam-se a Oca na qual cantamos e aprendemos várias músicas indígenas (principalemnte do povo Tupi), dançamos e ouvimos um mito.
Vivendo em um mundo de luta e muita alegria, em meio de tanto sonho ganho mais uma bela página de minha história que foi comemorar o dia do meu aniversário junto com as crianças no Quilombo.
Esse mês foi de suma importância para a dançaterapia e para todos que contribuem com esse trabalho. Recebemos visita de três dançarinas que acompanham a nossa grande mestra Maria Fux. Uma delas foi a Maria José que é argentina e está com Maria há 20 anos, as outras duas são italianas que seguem a proposta de Maria em uma escola na Itália. Foi muito bom porque elas puderam conhecer um pouco do nosso trabalho, da nossa realidade, recebendo e doando experiências muito significativas para o crescimento do grupo.
Recebemos também a visita de um italiano que veio conhecer a Vila, porque leu um livro que o Pio escreveu.
Se foi destino ou não ele acrescentou muito, porque ele trabalha com uma espécie de terapia de relaxamento na qual não tínhamos conhecimento. Um método que possibilita nos encontrarmos para sentirmos e ouvir a nós mesmos. Ele também trouxe umas pessoas que fazem este trabalho em uma cidade perto de Goiás (Ceres) para conhecer a Vila e o trabalho que fazemos que é um pouco o que eles fazem. Este encontro foi um dos primeiros dos muitos que estão por vir. Tem uma proposta de formação segundo o Método de Harmonização Reseguier.
De 10 a 12 de agosto, em Goiás, o Haroldo participou do 1º Encontro de Integração das Tecnologias no Contexto Educacional, direcionado aos dinamizadores das escolas.
Tivemos também mais um encontro com o nosso mais novo anjo Adriana Túbero, a psicóloga, que mais uma vez nos ajudou com sua sabedoria e com seu trabalho fazendo do nosso grupo cada vez mais grupo e de cada pessoa em particular mais humana e aberta para se relacionar com os acontecimentos da vida.

Gustávio




 
Mes: Setembro 2005  

RELATÓRIO DO MÊS DE SETEMBRO 2005


Este mês se iniciou com uma grande festa: o Ojó Odé, tarde cultural africana, às quinta-feiras. As crianças trabalharam anteriormente mitos e personagens da cultura popular brasiliera. Então foi elaborada uma grande caçada, onde procuravam um tesouro! As pistas para a caçada foram deixadas pelos personagens conhecidos. Foi o maior sucesso!
Chegou o dia tão esperado de festa na Oca Poranguassu. Teve início o Porancê Poranga, tarde cultural indígena. Crianças e adultos vivenciaram os costumes indígenas. Participaram de canto, dança, escutaram o mito e se dividiram nas oficinas: construção de maracás e colares. Depois da socialização dos produtos das oficinas, nosso banquete foi milho cozido e ingá. Foi mais uma festa!
Outra vez a borboleta de nossa esperança chegou para deixar-nos cada vez mais leves e confiantes. Adriana Túbero alimentou nossa força. Precisávamos de muita animação para também distribuí-la na feira de domingo: Bambá e Badulaques!
A turma de 4ª série programou e fez uma excursão ao Planetário em Goiânia, acompanhados por alguns educadores. Foi ótimo! Assistimos o filme “Biriba”, um burrinho que conheceu a Galáxia. Aproveitamos a viagem e fomos ao Mutirama, onde as crianças se divertiram bastante. Ficaram encantadas também com o “parque dos dinossauros”.
Robson, Pio, Lucia e demais educadores organizamos um Sarau de Poesia no Graõ Café Realejo, cujo tema foi o Amor. Foi um Sarau emocionante, que deve ser repetido. A renda ficou para ser administrada pelo Bambá e Badulaques.
O calor ficou enorme o que convidou para uma piscinada. As turmas se organizaram e se divertiram muito!
A Primavera chegou trazendo chuva e sua sinfonia. Foram os pássaros anunciando o meu aniversário! Até pouco tempo era meu pior dia, mas Adriana Túbero me fez vê-lo com outros olhos. (E nessa mesma época, aproveitando a sinfonia dos pássaros, aconteceu a “Festa das Crianças” no Terreiro Casa Grande).
E para encerrar, comemoramos os aniversariantes do mês. E quem estava lá no meio? Eu, todo contente!!!

Beijos! Regimar


 
1 - Setembro 2005  
Progetto ecologia
 
Mes: Outobro 2005  

RELATÓRIO DO MÊS DE OUTUBRO 2005


O mês de outubro se inicia com uma visita muito importante do Professor José Pacheco da Escola da Ponte de Portugal, junto a equipe de coordenadores da Escola Ethos de Goiânia. A visita aconteceu no domingo 02/10 e o professor foi recepcionado pela Lucia e Robson que trocaram várias informações e novidades que serviram de crescimento para ambas as partes. Nesse mesmo dia os educadores estavam em Goiânia na feira do Livro e exposições de trabalhos de escolas públicas que acontece anualmente durante o Encontro de Psicopedagogia “Pensar” no Centro de Convenções.
O Pio desenvolve um projeto na Chácara Paraíso de recuperação de dependentes químicos, mas na sua ausência – neste mês de outubro ele está na Itália acompanhando 3 grupos de formação em dançaterapia em Verona, Pistoia e Torino, além de workshops e palestras em Trieste, Pescara, Verona e Firenze - aconteceu uma surpresa: a Norma, uma das coordenadoras da Chácara ligou e pediu que Lucia trabalhasse com eles. Acredito que esse convite foi feito, por ela conhecer o trabalho realizado na Vila, no Asilo e pela sua competência e responsabilidade de trabalhar a arte em vários sentidos.
Voltando a falar da Escola da Ponte, alguns educadores foram à palestra do Professor José Pacheco em Goiânia, e depois sentamos para discutir algumas palavras da palestra e destacar os pontos que relacionam à Vila Esperança como: a importância da família na escola e o papel da escola que só educa quando reconhece pessoas. Cada educador recebeu um livro de Rubem Alves que fala sobre a Escola da Ponte que será estudado e discutido para crescimento do grupo.
Esse mês recebemos visitas e procura de várias crianças e adolescentes para conhecerem um pouco mais sobre a Cultura Africana, pois foi um tema trabalhado em várias escolas de Goiás.
Começamos a preparar a semana da crianças, planejando muitas brincadeiras, jogos educativos e comidas gostosas.
Pensamos na possibilidade de criar um programa de rádio na Vila, com participação de pais, crianças e educadores.
Outro ponto importante discutido nesse mês foi sobre as crianças que passaram pelo Projeto Labalaba – Leveza das Borboletas, que foi resumido de forma clara num relatório feito pelos educadores Haroldo, Gustávio e Shirley. Os tema tratados no encontro com a Psicologa Adriana forma direcionados às crianças e às famílias.
No dia 07 de outubro na nossa reunião diária tivemos o prazer de ouvir um artigo produzido pelo Robson sobre Axexê (a morte) na cultura afrobrasileira.
Aconteceu ainda na primeira quinzena do mês, reunião sobre o Conselho de Direito (municipal) em que a Rosângela é a representante suplente do Espaço Cultural Vila Esperança; uma conferência CRASE (municípios) que falava do Plano Diretor, esse segundo aconteceu na Diocese de Goiás.
O terceiro bimestre está acabando e a escola se prepara para receber os pais no Plantão Pedagógico.
Nas terças-feiras quinzenais estão acontecendo o Porancê Poranga, que é um encontro e vivência da Cultura Indígena com danças, oficinas, comidas e cantos.
A Vila se prepara pois ela será toda poesia, pois está chegando o Sarau realizado pelas crianças e educadores da Vila Esperança.
No término do mês aconteceu como de rotina o dia dos “Aniversariantes do mês”, mas esse foi diferente pois aconteceu durante o Ojó Odé – tarde cultural Africana. E a partir deste dia, também as turmas da Educação Infantil participam de Ojó Odé e Porancê Poranga: um pequeno reconhecimento, durante esse ano cresceram e estão “preparados” para participar também disso! Que alegria!!!
Os educadores continuam envolvidos num curso Proinfantil que é um programa de formação inicial para professores em exercício na Educação Infantil promovido pelo Governo Federal.
O Robson viaja à Itália, convidado pela AIFO, participando da Conferência Nacional da AIFO, dias 22 a 23 de outubro, e do Workshop Internacional Bi-annual da AIFO em Montesilvano (Pescara) entre os dias 24 a 28 de Outubro de 2005. Apresentando também sobre o tema “Violência Doméstica”. Durante a viajem teve também o encontro com o Gruppo di Solidarietá per il Brasile – Vila Esperança de Verona, para discutir a respeito de Novas diretrizes na solidariedade e intercâmbio. Na abertura da Conferencia Nacional da AIFO, o Pio contribuiu com uma vivença: “A Dançaterapia, a Doença e a Saúde”.
Acreditamos que a educação deve ultrapassar barreiras, por isso cada dia mais queremos melhorar, aprender e crescer para termos liberdade com responsabilidade.

Liandra

Dia 28 de outubro, a Irmã Aspásia nos deixou, assim, sem palavras...
Ela sempre nos apoiou, com amor, firmeza e verdade, compartilhando da nossa luta, acreditando na gente com força, carinho e esperança.



 
Mes: Novembro 2005  

RELATÓRIO DO MÊS DE NOVEMBRO 2005


O mês de novembro foi inaugurado em plena terça-feira de Porancê; dia em que a tarde se inicia serena com a pintura corporal indígena, a vestimenta de ponchos e adornos; cantos fortes, saudações e fazeres que promovem o encontro com elementos da natureza, nos aproximando de onde brota a vida...O mito Subida para o Céu foi contado pelos educadores: Rosângela, Adriana, Liandra e Ronaldo e explica como surgiram as estrelas, os animais e as diferenças entre eles, segundo o povo Bororo. Como o contexto em que a história se passava era também, uma plantação de milho, numa das oficinas da tarde, as crianças se encarregaram de preparar a terra e cultivar uma rocinha de milho.
No primeiro sábado do mês aconteceu um encontro intensivo no Centro de Dançaterapia Maria Fux, sob orientação de Renata e Shirley. O percurso propunha a vivência do caminho que se constrói em busca do sonho... Neste caminho vários aspectos influenciam a forma de caminhar... realizar um sonho, alcançar uma meta, transforma o pensamento e o corpo... dançar isto permite tomar consciência desta aprendizagem de vida.
No dia sete, o Pio chegou de viagem, depois de um mês de trabalho com a dançaterapia, na Itália; muitas novidades, entre elas, um intercâmbio mais ativo com o Centro de Dançaterapia de Firenze. Neste mesmo dia, as atividades sistematizadas do Projeto de Poesia começaram a ser realizadas; a Escola Pluricultural Odé Kayodê e a Brinquedoteca Alegria do Povo construíram um álbum que reúne biografia dos autores, poesias, arte, músicas, histórias e imagens imbuídas com graça e encanto.
Neste mês, a tarde de dedicação ao estudo e à vivência da cultura africana, o Ojó Odé, foi direcionada à preparação de um dia maior, em homenagem ao povo negro, nas vésperas do dia em que se celebra a morte do grande guerreiro Zumbi dos Palmares e que se designou como sendo o da Consciência Negra, vinte e um de novembro. Assim sendo, no dia três, o Ojó Odé foi permeado por um belíssimo mito sobre a amizade entre personagens com características bem diferentes, Oxalá e Oxóssi; ensinou como as diferenças não impedem a convivência e nem uma grande amizade.
O Ojó Odé, no dia dez, teve os trabalhos impulsionados pelo mito que que falava do encantamento do amor. Oxóssi, caçador responsável pelo sustento do povo, numa de suas caçadas fica enamorado por Oxum, pela magia da sua voz e beleza; ao se render aos encantos dela se esquece da tarefa de caçar, de sua casa e de seu povo...Furioso com a atitude de Oxossi, o povo vai atrás do caçador. Oxum com a ternura que apazigua, promove o entendimento. Oxóssi se torna rei de Ketu.
No dia onze, aconteceu na Escola Pluricultural Odé Kayodê o Dia do Brinquedo. Cada criança poderia escolher o seu brinquedo preferido e trazê-lo de casa para a escola. A oportunidade de socializar uma brincadeira, um jogo do qual se gosta, resultou na cooperação e em outros valores atitudinais que se valoriza muito, além de ser um momento de contentamento geral na escola.
No conteúdo Programático do Plano Anual da 3ª série da Escola, consta o reconhecimento e o estudo sobre a cidade onde se vive. Como atividade relacionada a isto, as turmas da 3ª e 4ª séries fizeram uma visita ao Centro Histórico da Cidade de Goiás, no dia dezesseis. Investigaram sob o ponto de vista do Patrimônio, como se deu, desde a sua origem, o desenvolvimento da Cidade de Goiás. Os pontos da visita mais comentados foram a Casa de Cora Coralina e a Igreja do Rosário.
No dia dezessete, O Ojó Odé foi organizativo; os grupos nas oficinas já se preparavam para expor os resultados de todo um ano de trabalho com a cultura africana, no Ojó Odé Inlá; ficou definido que as mostras aconteceriam em três espaços diferentes, simultaneamente: Quilombo, memorial, cinema. As atividades : visitação às exposições, africana (Memorial); histórico do Ojó Odé (fotos, trabalhos realizados); histórico sobre o Afoxé (fotos, símbolos fundamentais, vivência: dança ijexá, canto e toque); desfile e dança afro; cinema e roda de capoeira.
O Conselho Jovem do Espaço Cultural Vila Esperança se reuniu na sexta-feira, dia dezoito, para a organização da X Assembléia de Crianças. Neste ano, o grupo de educadores deixou, sob a responsabilidade do Conselho Jovem, a idealização e realização da Assembléia, e participou, em parceria, da sua organização.
No dia vinte e um, segunda-feira, todas as crianças compareceram, à tarde para participarem da X Assembléia que teve caráter filosófico e manteve o quadro do então atual Governo Mirim. Foi, sem dúvida, uma Assembléia de Crianças diferenciada, em que o Conselho Jovem foi protagonista; percebeu-se contudo, que a estrutura da assembléia, construída ao longo dos anos, foi mantida. Os temas discutidos nos subgrupos também partiram de idéias das assembléias anteriores, com exceção de uma oficina, organizada pelo Presidente Mirim, Ronaldo Júnior, relacionada à arte de falar em público. Avaliou-se que a participação , em geral, foi boa; a atuação do Governo Mirim pode ser ainda melhor, o que necessita de um trabalho que suscite cada vez mais a autonomia e espaço para a ação.
A rotina matinal da Escola Pluricultural Odé Kayodê, na terça-feira, dia vinte e dois, foi diferenciada. Numa das ações do PROINFANTIL*, denominada Prática Pedagógica, os educadores planejaram atividades que otimizaram os momentos de aprendizagem, possibilitando o trabalho com grupos diferenciados, em forma de rodízio... Foi uma manhã em que a ação educativa foi ressaltada, o planejamento se realizou utilizando-se de variados recursos e o resultado se apresentou no envolvimento total, na integração do grupo pedagógico, sintonia na realização das atividades e aprendizagens com sucesso!
À tarde aconteceu o Porancê; mais um momento privilegiado de experimentação do mundo, através da sabedoria indígena, que reaviva a nossa
memória existencial. O mito Tainá Hekã, que narra a origem da estrela D’alva,
contado pelo povo Karajá, foi relembrado pelas educadoras Shirley, Renata, Simone e Emicléia. Os trabalhos nas oficinas seguiram o objetivo de se “instrumentalizar” para se apropriar com maior inteireza da cultura. As propostas foram orientadas para a confecção de adornos, instrumentos... para uso próprio, resignificando os aspectos estéticos, tão priorizados na cultura dos povos indígenas.
Um grande acontecimento do mês de novembro foi o Ojó Odé Inlá, em que culminou o Projeto Xirê Iriti Lonã. Todas as escolas da cidade foram convidadas; um agendamento minucioso possibilitou que todas as turmas das escolas interessadas participassem de todas as atividades do encontro, que
eram ininterruptas. Todos puderam dançar ao som, ritmo e canto do ijexá, presenciar a magia da capoeira angola, traduzida na destreza, nos versos e na

* Programa de Formação Inicial para Professores em Exercício na Educação Infantil.

ginga dos capoeiristas da Vila, dentre eles, crianças e adolescentes. A viagem à África prosseguiu com a visita ao Memorial, acervo rico sobre a história do povo negro... olhos curiosos indagavam e admiravam esta história, contada a partir da realeza; pela simbologia relacionada às multifaces em que a vida se apresenta; pelos elementos cósmicos e a ligação direta com os caminhos que se percorre; pela sabedoria da memória ancestral e da vida cotidiana esculpida na madeira, no marfim. Pisar no Memorial significa adentrar num território de infinitas possibilidades de ver o mundo. É renovar a capacidade de “enxergar” o que é essencial... As imagens do telão trouxeram toda a energia envolvente da África... A passagem pela exposição do Ojó Odé confirmava uma história de aprendizagens realmente significativas... e o Afoxé, ali representado pelos símbolos fundamentais e algumas fotos da vivência simultânea que acontecia próxima dali. Ah! Seria falho não mencionar as delícias da culinária afro brasileira que não só estiveram representadas, mas saboreadas com a alma.
O mês foi exuberante de trabalho e realizações. Vivemos a plenitude da educação multicultural, com todos os desafios e conquistas... Vamos caminhando!!!

Renata


 
1 - Novembro 2005  
OJO ODE NLA
 
24 - Novembro 2005  
OJO ODE NLA
 
Mes: Dezembro 2005  

RELATÓRIO DO MÊS DE DEZEMBRO DE 2005


Geralmente o início deste mês traz a sensação de término, no entanto, aqui na Vila este mês começou cheio de expectativas e empolgação.
Iniciamos o mês na companhia dos que sabem verdadeiramente apreciar a vida com todos os sentidos, os poetas. Toda a poesia da Vila e da vida exalou seu encanto e magia; mesmo os menos sensíveis puderam percebê-la e apreciá-la no III Sarau de Poesia que realizamos no dia três. Como diriam os poetas, poesia espalhada , prazer dobrado!
Ainda sob efeito da poesia iniciamos no dia cinco a semana de preparativos para a festa de encerramento do Ano, “O Espetáculo Continua”, no qual tentamos juntar um pouco de tudo que acontece na Vila durante o ano... Tarefa nada fácil! Mas a noite do dia dez provou que a proposta de trabalhar o pluriculturalismo possibilita o encontro do diferente. Um misto de fantasia e realidade foi composto pela presença ilustre do Saci, da Iara, da tia Anastácia, da Fada, de Palhaços... amostra do Ojó Odé, do Porancê e ainda uma belíssima apresentação do grupo de dançaterapia e uma história contada pela Educação Infantil. Foi realmente uma noite mágica, onde todos os presentes puderam perceber que fantasia sonhada torna-se realidade possível quando se tem Esperança.
Na segunda feira, dia doze, a “recuperação especial” trouxe para a escola apenas algumas crianças, as quais durante toda a semana cumpriram uma exigência legal. Em contra turno com essa “recuperação” os educadores realizaram estudos do Proinfantil e no dia dezessete realizaram a segunda prova semestral do mesmo.
Já em clima dos festejos de final de ano, realizamos no dia dezoito a última edição do Bambá Badulaques / 2005; um ano no qual conseguimos dar início a uma proposta que carrega para o ano vindouro, muitas perspectivas. O nosso festejar teve muitos motivos e foi selado com um delicioso e farto almoço na fazenda da tia Fátima da Adriana.
Acreditamos que avaliar é um ponto de partida, um modo de reconhecermos o que deu certo, a chance de melhorarmos, descobrirmos caminhos novos. E foi com esse propósito que iniciamos no dia dezenove uma semana bastante ativa com os “encontros de projetos,” onde a partir de esclarecimentos, discussões e estudo pudemos reafirmar o objetivo educacional, político, artístico, filosófico... cultural dos princípios que norteiam a proposta do Espaço Cultural Vila Esperança e ainda enxergarmos as perspectivas para o próximo ano. No dia vinte recebemos os pais, num encontro também de avaliação, onde a necessidade e confiança dos pais de conversarem, colheita de resultados do Projeto Farfalle. Juntamente com os “Encontros de Projetos” realizamos também um “mutirão” para organização da casa, hora de faxina!
A tarde do dia vinte dois foi duplamente especial, para nós da Vila e também para os da Chácara Paraíso. Um lugar para recuperação de dependentes químicos, onde o Pio realiza um trabalho terapêutico através da dança. Neste dia, vivenciamos uma “tarde cultural”, juntos cantamos, dançamos, sorrimos..., provando o que nem era preciso provar, que todos temos fraquezas, elas são diferentes e superáveis.
Nos encontramos na noite do vinte nove para novamente festejarmos, e desta vez ao som de Divas no aniversário do Pio, uma pessoa pela qual palavra alguma pode expressar o tamanho do nosso amor.
Dois mil e cinco está terminando, ou dois mil e seis já está começando?! Não estivemos sozinhos... Convivendo, fomos transformando muitas dificuldades em sucesso e alegrias. Juntos, vivemos momentos de paz, humanidade, felicidade, curiosidade e descoberta. Muitas oportunidades surgiram para pular, vibrar, torcer, brincar e aprender! Fizemos festas divertidas, num mundo de fantasia possível e real! Aprendendo a sorrir, agarramos a vida como se ela fosse um ursinho de pelúcias, mas também cheia de boas surpresas ou até algumas pedras que várias vezes conseguimos remover...
Nossa busca é e foi sempre mais importante que qualquer achado!!!

Emicléia

 
1 - Dezembro 2005  
Sarau di poesia
 
31 - Dezembro 2005  
Festa di fine anno
 

Informações pelo email: ubaldo@pernigo.com.